“O PAÍS PRECISA DE TRANQUILIDADE”

O País vem passando por uma intensa instabilidade política que, aliada a uma taxa de desemprego em patamar elevado e ao fantasma da inflação, voltando a bater em nossa porta, resulta em uma inevitável queda na renda e no consumo. O programa de privatizações, instituído pelo Governo Federal (GF), não avançou, assim como o crescimento da economia não ocorreu, o que levou a uma produtividade pífia, que frustrou o mercado e prejudicou a recuperação dos trabalhadores em busca do emprego. O mercado de trabalho apresenta um quadro que ainda é considerado desafiador, com o desemprego e a informalidade em patamares elevados. Apesar de uma tímida melhora recente, a força de trabalho ainda está abaixo do que era antes da pandemia.

A partir da flexibilização no controle da pandemia e o fim do auxílio emergencial, o aumento da taxa de ocupação pode não ser o suficiente para absorver os atuais desempregados e os que voltarão a buscar trabalho. Em outras palavras, a expansão da ocupação poderá não ser suficiente para reduzir consideravelmente o contingente dos desocupados. Embora a situação financeira das empresas já tenha vivido dias piores, principalmente das micro e pequenas empresas, as medidas adotadas pelo GF chegam em boa hora, visando combater os efeitos econômicos da pandemia e evitar uma deterioração mais profunda da situação financeira das empresas. É importante destacar que essa ajuda, com gastos extras, aumentou o rombo fiscal do GF em alguns bilhões de reais. Mesmo com essa ajuda, ainda há um aumento da inadimplência nos pagamentos da cadeia de produção, com tendência de alta para os próximos meses, que gerou uma renegociação de dívidas dos devedores e a dilatação dos prazos de pagamento pelos credores. Sem considerar que há outras questões urgentes a serem resolvidas, tais como as reformas estruturais (administrativa, política e tributária) e o equilíbrio das contas públicas, que foi agravado pela pandemia e avançado também pela crise política.

Enquanto os três poderes não se entenderem (executivo, judiciário e legislativo), o Brasil não sairá desse clima de guerra. O atual cenário de incerteza política é um dos motivos para afastar o investidor, atravancando a retomada econômica, em face do não retorno dos investimentos que o País tanto precisa e cuja melhoria depende, primordialmente, de uma estabilidade política. Portanto, temos urgência em que seja estabelecida uma “trégua” e a tranquilidade volte a reinar no cenário político, de modo que os investidores e as empresas sintam mais segurança e optem por investir em nosso País.


Cláudio Sá Leitão – Conselheiro pelo IBGC e CEO da Sá Leitão Auditores e Consultores.
PUBLICADO NO JORNAL DO COMMERCIO EM 16.10.2021