“NA CRISE, COMPANHIAS PARTEM PARA AQUISIÇÕES”

Sabemos que a saúde financeira das companhias (Cias) ficou seriamente abalada com a pandemia da covid 19, contribuindo para o aumento das chamadas operações de M&A (sigla em inglês, para Mergers and Acquisitions,), que traduzidas são as fusões e aquisições. Diante da fragilidade das Cias afetadas pela atual crise e pelas turbulências políticas, os grupos capitalizados que detém recursos de abertura do capital, através da bolsa de valores, e um caixa mais robusto, passaram a buscar novos ativos para melhorar sua eficiência, ganhando em escala, comprando sociedades no mesmo segmento de atuação ou fechando transações para diversificar os seus negócios. Há também aqueles grupos que estão reavaliando seus negócios, mediante uma reestruturação societária, vendendo ativos e participações societárias, com o intuito de concentrar e investir em setores com maior escala e competividade. Esses tipos de operações vêm mantendo o aquecimento do mercado de M&A, aliadas a outros fatores que vêm antecipando estas transações, tais como: a reforma tributária, as eleições do próximo ano e as dificuldades das Cias. em obterem recursos para impulsionar os seus negócios. Essa também foi uma forma encontrada para afastar os fundos de private equity do capital dessas Cias. Todas essas operações de M&A provocaram uma onda de negociações que impulsionaram as receitas dos bancos, geradas pelas comissões dos trabalhos realizados de consultoria.

Atualmente há um clima generalizado de desanimo e de falta de confiança no governo, haja vista a necessidade de redução dos gastos, por meio de uma reforma administrativa, visando uma sobra de recursos para projetos de infraestrutura. O aumento desses gastos vem impulsionando a inflação, sem contar que a elevação do dólar afeta o preço da gasolina, da energia elétrica e dos alimentos, juntamente com o aumento dos juros pelo Banco Central, que visa reduzir o consumo, mas que trava o crescimento econômico. Esse ambiente de incerteza termina comprometendo a vinda de novos investimentos. É fácil entender o receio das multinacionais em colocar dinheiro em um País, que não tem um mínimo conhecimento do que irá ocorrer no curto prazo. Os recursos que já estavam previstos para o Brasil, certamente foram bloqueados pela matriz destas Cias. O que preocupa é o cenário atual, com inflação e desemprego em alta, revelando um total descontrole da economia. Se uma multinacional tem a opção de colocar dinheiro em um País com um cenário econômico favorável e previsível, por qual motivo vai investir no Brasil? Independentemente desse desânimo, por parte de alguns grupos industriais do país, e da falta de confiança do governo, há Cias internacionais que ainda mantém os olhos no mercado brasileiro, buscando se fortalecer em áreas consideradas estratégicas.

Para outros, essa crise econômica se traduz em uma oportunidade, razão pela qual vem crescendo o volume de empresas familiares que buscam investidores. Em outras épocas, a venda de uma empresa familiar era um sinal de fracasso. Nos dias atuais, trata-se de um movimento estratégico, em face dos ativos serem vistos como um portfólio. Enquanto isso, as Cias brasileiras estão se preparando para atrair investidores, seja para uma eventual venda parcial ou até total dos seus negócios, pois entendem que transações de M&A são ferramentas utilizadas para quaisquer tamanho e tipo de sociedade.

Cláudio Sá Leitão e Luís Henrique Cunha – Sócios da Sá Leitão Auditores e Consultores.
PUBLICADO NO JORNAL DIARIO DE PERNAMBUCO EM 18.11.2021