“ O RITMO DA VACINAÇÃO PIORA CENÁRIO ECONÔMICO”

A vacina é um bem público disponibilizado pelo Programa Nacional de Imunização, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Quando aplicada, essa substância induz o corpo humano a desenvolver imunidade contra determinadas doenças. A sua finalidade é reduzir o número de mortes e o impacto no sistema de saúde nacional. Já sabemos que o esquema de vacinação prioriza as pessoas mais vulneráveis. Nunca é demais lembrar. A vacina não é uma “arma” que eliminará o vírus como num passe de mágica. É importante ressaltar que, mesmo depois de aplicada, não temos total segurança de estarmos imunes ao covid-19. Para interromper a circulação do vírus, é preciso aplicar a vacina em um número expressivo de pessoas. Ou seja, o impacto coletivo somente será atingido, quando a maior parte da população estiver vacinada. Além disso, os efeitos da vacinação podem demorar para serem sentidos e, portanto, quanto mais rápido formos vacinados, os resultados virão com pouco tempo. No entanto, a campanha de vacinação caminha a passos lentos com a escassez de doses em várias cidades, ocorrendo em alguns casos até a sua suspensão. A urgência em acelerar esse processo é decisiva para salvar vidas e para a retomada da economia. Com o avanço da imunização, a mortalidade da covid-19 tende a cair vertiginosamente no país, viabilizando o retorno seguro ao trabalho. A atividade econômica vem sendo impactada pelas medidas de isolamento social adotadas pelos estados e municípios, em reação ao avanço descontrolado da covid-19 e ao ritmo lento da vacinação. Nesse ambiente de negócios, as expectativas para o emprego e renda pioraram, afetando especialmente o setor de serviços. Como o mercado de trabalho está fraco, as perspectivas para o consumo são desanimadoras. Para recuperar a economia e voltar crescer é fundamental vacinar toda a população, o mais rapidamente possível. A lentidão no processo de aquisição das vacinas, fruto da negligência do governo federal, vem provocando uma nova onda de contágio bem maior do que a ocorrida no início da pandemia. Como é elevado o nível de incerteza sobre a economia, esse torna-se um dos fatores de impedimento da retomada dos investimentos. A única esperança de uma expansão da economia está vinculada ao aumento das exportações líquidas (diferença entre as vendas e as compras externas). Não há mais dúvida de que a recessão econômica não será superada, enquanto a pandemia não for controlada. Diante da instabilidade do governo federal, só nos resta exigir dele uma melhor gestão e uma atuação mais competente na condução da pandemia. Não há outra medida mais urgente a ser tomada para mudar o atual cenário econômico, que não seja a aceleração no ritmo da vacinação, mantendo a utilização de máscaras, a implementação de medidas de distanciamento social e o cuidado com a higiene e a limpeza. Perante o quadro que soma desaceleração da economia, aumento de desemprego e a falta de perspectiva de futuro, provocado pelo ritmo lento da vacinação, já ficam comprometidas quaisquer projeções de cenário econômico para o segundo semestre de 2021.

Cláudio José Sá Leitão – Conselheiro pelo IBGC e CEO da Sá Leitão Auditores e Consultores

PUBLICADO NO JORNAL FOLHA DE PERNAMBUCO EM 23.04.2021