“PLANEJAR A APOSENTADORIA”

A aposentadoria é um direito adquirido por pessoas que destinaram para a previdência oficial ou para um fundo privado, parte dos recursos obtidos com seu trabalho. Nos últimos anos, o cidadão tem se preocupado mais com a qualidade de vida, buscando métodos saudáveis que contribuem para uma longevidade maior que a de nossos antepassados. Esse incremento no tempo de vida fez com que o tema das finanças pessoais passasse a ser ainda mais importante. Aliado a isso, com o advento da nova previdência, a idade mínima para se aposentar passou a ser de 62 anos para as mulheres e 65 anos para os homens, com exceção de algumas classes privilegiadas. O conforto da aposentadoria ficou mais distante e o risco de ficar desempregado, ao longo do tempo, deve ser considerado. Poupar não é mais capricho, mas uma necessidade. A independência financeira depende do padrão de vida, o qual está relacionado com as suas prioridades, bem como ao tempo que o poupador ainda viverá após a aposentadoria e, obviamente, das condições macroeconômicas. Para elaborar um planejamento para a longevidade, faz-se necessário o levantamento completo da vida financeira, mapeando as receitas e as despesas. Não há fórmula mágica que garanta uma “folga” financeira para poupar. É fundamental simular uma gama de combinações entre receitas e despesas, de forma a dimensionar qual a capacidade que se tem para poupar. Ao reservar uma parte dos ganhos da vida laboral para ser desfrutado nos anos seguintes da aposentadoria, uma regra não pode ser quebrada, a que trata de estabelecer uma disciplina nos aportes, ou seja, a manutenção de uma regularidade mensal do valor poupado. Mesmo assim, caso não seja possível efetuar os aportes mensais, a dica é calcular a receita líquida anual e projetar um único investimento uma vez por ano. O tempo de poupança é um dos maiores trunfos para quem investe de olho no longo prazo. Começar a poupar cedo, permite que o investidor se beneficie dos juros que são agregados ao seu patrimônio, além de comprometer uma fatia menor do seu rendimento mensal. Não é à toa que consideramos essa disciplina como um dos grandes aprendizados na vida, pois traz consigo a segurança financeira, para quem almeja um futuro tranquilo na melhor idade. Um outro grande aprendizado na vida diz respeito aos imprevistos, os quais no assunto em pauta podem ser resumidos em dois: o primeiro é quando mesmo economizando o suficiente para uma aposentadoria tranquila, o poupador acaba “passando desta vida, para outra melhor”, antes de gozar do benefício. E o segundo é quando calculamos uma poupança que se esgota muito antes do dia que iremos para a “última morada”. Esse segundo “imprevisto” ocorreu com o conhecido playboy Jorginho Guinle, que programou para que seu dinheiro durasse até os 80 anos e terminou vivendo até os 88 anos de idade. Por fim, também temos que ter um certo cuidado na escolha do investimento, dando uma atenção especial aos planos de previdência complementar, nas modalidades de Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL), que são alternativas interessantes pelos benefícios fiscais.

Cláudio Sá Leitão e Luís Henrique Cunha - Conselheiro pelo IBGC e Sócio da Sá Leitão Auditores e Consultores.

PUBLICADO NO JORNAL FOLHA DE PERNAMBUCO EM 30.12.2019