“THERE IS NO FREE LUNCH”

Essa expressão em inglês, traduzida como “não existe almoço grátis”, trata de um dito popular que tem como significado a impossibilidade de conseguir algo sem dar nada em troca. Nas décadas de 1930 e 1940, havia uma tradição em que os bares do velho oeste dos EUA ofereciam comida de graça para seus clientes que consumissem alguma bebida alcóolica. Como os alimentos oferecidos eram muitos salgados, os clientes acabavam comprando mais bebidas. A citada expressão, também pode ter o sentido de que para podermos possuir algo que gostamos, precisamos abdicar de uma outra coisa que também gostamos. Em outras palavras, tomar decisões exige trocar um objetivo por outro. Levando esse contexto para o mercado financeiro, observamos que a atual redução da taxa básica de juros (Selic) encerra um ciclo de juros altos e de rendimento dos fundos de renda fixa, principalmente àqueles que tem rentabilidade pós fixada, que vem amargando uma queda de retorno. Essa diminuição dos juros, os menores da história do nosso país, contribuiu para a redução da dívida das empresas e fez com que os investidores saíssem da zona de conforto, deixando de investir em renda fixa e passando a procurar mais retorno em investimentos que tenha maior risco. Como há uma tendência dos juros permanecerem baixos, nos próximos 2 ou 3 anos, a busca por melhores retornos de longo prazo vai exigir uma melhor gestão dos recursos aplicados. É sabido que o investidor não irá lucrar sem um “sacrifício”, visto que o aumento de rentabilidade anda sempre junto com o risco. O que se observa atualmente são movimentos importantes na revisão das estratégias dos investidores, principalmente de pessoas físicas, que passaram a buscar melhores retornos, ainda que em níveis inferiores a 1% ao mês. Espera-se que, a partir da aprovação das reformas, haja uma tendência de subida nos lucros das empresas, razão pela qual também deverá crescer o investimento em ações ou em fundo de ações. Por outro lado, essa queda dos juros provocou um encarecimento nas taxas de administração e, para tanto, o investidor atento realizará pesquisas e análises de produtos que tenham taxas mais atrativas, pois qualquer redução de percentual fará a diferença no retorno de fundos. Em vista disso tudo, um dos aspectos fundamentais para o sucesso do investidor é que este seja bem assessorado, por um profissional de mercado, de modo ajudá-lo na criação de uma carteira de investimentos mais adequada, alinhando as expectativas de prazo (curto, médio e longo) com as disponibilidades existentes. Esse profissional poderá também mensurar e controlar os riscos de forma eficiente, sendo pessoa física ou jurídica, para que o dinheiro poupado (fruto do trabalho e do esforço dispendido) e da reserva de caixa da empresa, não sejam maldosamente tratados como a compensação de um “almoço grátis”.

Cláudio Sá Leitão - Conselheiro pelo IBGC e Sócio da Sá Leitão Auditores e Consultores.

PUBLICADO NO JORNAL DO COMMERCIO EM 16.11.2019