"REDUÇÃO DE CUSTOS"

O atual cenário brasileiro apresenta um quadro de elevação da Taxa Básica de Juros (SELIC), com inflação acima da meta e o crescimento econômico abaixo do esperado. A insatisfação com a representação da classe política e os intensos movimentos sociais fazem com que as empresas de diversos setores da economia recorram às alternativas de redução de custos ou de otimização de processos para sobreviverem neste momento de desaceleração econômica. A racionalização de custos deve ser aplicada de forma inteligente e com visão de longo prazo. Apesar dos empresários, de maneira geral, dizerem que os funcionários são o seu maior ativo, alguns destes, no momento difícil, adotam a solução que aparentemente parece ser mais fácil que é cortar funcionários e algumas vezes fazem de forma desrespeitosa, sem pensar nas consequências. Na situação em que se encontra a nossa economia, proteger o caixa é importante, focando o corte de custos e os resultados de curto prazo, mas, de forma inteligente, para não colocar em risco o futuro da empresa.

Por isso, é importante; (a) incorporar um novo modelo de racionalização dentro da cultura da empresa, em vez de concentrar as atenções em medidas típicas para redução de custos; (b) saber acelerar e frear, sem perder o controle; e (c) ter uma visão de longo prazo, procurando enxergar o que vem pela frente, com menos expectativas de surpresas. Considerando o momento atual delicado, é preciso combinar a postura "hard", de identificar os desafios e o futuro do negócio, com a competência "soft", de aproveitar o momento para dinamizar o processo mental e cultural da empresa, a fim de proceder às opções corretas.

Somente dessa forma, é possível identificar a hora certa de cortar e de investir, para não comprometer o futuro do empreendimento, pois a conjunção desses dois verbos devem estar sempre presentes na vida dos empresários. Naturalmente que há àquelas empresas que estão vivendo uma situação excepcional de oportunidade para investimento, mas fazendo de forma cuidadosa e responsável, pisando no acelerador e reduzindo a velocidade na hora certa, para não derrapar nas curvas que virão pela frente. O momento exige reflexão, para mudança de visão e de ação/atitude, fazendo o balanceamento correto, isto é, as escolhas certas entre as posturas "hard" e ""soft", de forma a minimizar os riscos , não executando as opções erradas, na hora de reduzir os custos.

Cláudio Sá Leitão e Luis Henrique Cunha , Sócios da Sá Leitão Auditores e Consultores.

PUBLICADO NO JORNAL DIÁRIO DE PERNAMBUCO EM 03.08.2013