"SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL"

Muitas empresas já assimilaram como parte de sua cultura, os princípios básicos da Governança Corporativa (GC). Tais empresas, por se encontrarem mais preparadas, terão condições de, ao final desta crise econômica, levantarem recursos com mais facilidade, melhorando o ambiente de negócios e contribuindo para a retomada da confiança do mercado. Princípios e mecanismos de GC aprimoram a gestão em todos os níveis e são ferramentas de competividade, tanto na dimensão empresarial, quanto nos governos. Na última década, conceito e práticas da boa GC se tornaram mais evidentes, em função dos escândalos empresariais ocorridos, cujos reflexos atingiram a economia mundial e, desde então, grandes avanços foram observados.

A separação do presidente do conselho de administração e do diretor presidente da empresa, evitando o conflito de interesse dentro da empresa, a constituição de conselhos de administração mais fortes, contrapondo ao modelo anterior, por meio da indicação de amigos do presidente da empresa, e a transparência das informações das empresas, que passaram a serem mais exigidas pelos stakeholders (mercado), melhorando a qualidade das informações e dos relatórios. Também, as novas exigências no Brasil dos padrões internacionais de contabilidade (Lei No 11.638, de 28.12.2007) e adoção de práticas de segurança e de responsabilidade, contribuíram para um melhor controle dos riscos do negócio.

Já nas companhias controladas pelos governos, ainda paira um cenário de pouca transparência, sendo necessário que elas aprimorem as práticas e as estruturas de GC para a retomada da credibilidade destas estatais. Entre as medidas a serem tomadas, destacam-se a instalação da área de compliance e riscos, auditoria independente, auditoria interna, comitê de auditoria estatutário, divulgação do relatório desse comitê e a adoção de um canal de denúncia, preferencialmente externo. Além disso, conselheiros e membros da diretoria não poderão ser indicados por órgãos reguladores e parlamentares, possuir cônjuges ou parentes até o terceiro grau, nem acumular cargos no conselho. Tudo isso, visa minimizar a ingerência política e a falta de transparência, além de melhorar o cenário corporativo do Brasil. As falhas na condução das estatais exigem uma gestão profissional e boas práticas de GC, já que muitas delas se encontram em setores chaves de nossa economia. Da mesma forma que as companhias privadas, as estatais precisam obter resultados econômicos consistentes e sustentáveis.

O atual cenário empresarial brasileiro de denúncias e investigações sobre corrupções, não deixam dúvidas quanto à necessidade da adoção de uma boa GC para garantir uma gestão financeira eficiente, com mecanismos para conter conflitos de interesse e de preservar a transparência, a honestidade dos negócios e a reputação das empresas. Após o tão esperado fim desta crise, certamente, teremos a nítida visão de que a boa GC é fator essencial para a sustentabilidade empresarial.

Cláudio Sá Leitão - Sócio da Sá Leitão Auditores e Consultores.

PUBLICADO NO JORNAL DIÁRIO DE PERNAMBUCO EM 11.12.2015.